O CONTEXTO HISTÓRICO DA COLONIZAÇÃO NA AMÉRICA E OS JESUÍTAS


Autor: CAVALINI, Gabriel
Publicado em: 28/12/2021

          O trabalho desenvolvido pretende abordar o processo de colonização da América realizado pelos portugueses e espanhóis, como também o processo de evangelização dos jesuítas, membros da ordem Companhia de Jesus. Tendo como referencial teórico a análise “Política Educacional no Brasil” de Sofia Vieira e Isabel Farias, bem como a abordagem de José Maria Paiva sobre “Apontamentos para abordar a Primeira Educação Brasileira”, este trabalho busca expor primeiramente uma contextualização histórica, econômica e política do processo de colonização, e em seguida a educação jesuítica, importante referencial para se compreender os primeiros passos da educação brasileira.

          No contexto histórico de exploração da América, o mundo vivenciava as Grandes Navegações realizadas primeiramente pelos portugueses e espanhóis, que na época eram as maiores potências mundiais. Após consolidar o seu Estado Nacional, Portugal investiu num projeto marítimo com intuito de descobrir um caminho que levasse a grandes centros comerciais do Oriente. A busca por novas riquezas fora do continente europeu, foi o fator principal para a sua realização, no entanto, desembarcaram no Brasil em 1500. Ao contrário do que se pensava, as terras brasileiras fora uma grande fonte de exploração para gerar riquezas, atingindo assim, o objetivo das Navegações. Estas novas terras que eram colonizadas eram chamadas de Novo Mundo.

          Os portugueses tiveram primazia em relação às Grandes Navegações, dentre as quais pode-se citar: a posição geográfica favorável; ausência de guerra em Portugal no século XV; e técnicas de navegação e conhecimentos náuticos. A princípio, não tiveram interesses de colonização. No Brasil, por exemplo, os primeiros movimentos de colonização só ocorreram a partir de 1530. O interesse era apenas de exploração, por isso, desenvolveram uma economia baseada nas ideias mercantilistas voltadas aos interesses da Europa.

          A primeira riqueza natural explorada foi o pau-brasil, que representava a atividade econômica de maior importância na nova terra. Com a escassez do pau-brasil buscam como nova fonte de riquezas: a cana de açúcar; e logo após a mineração. A sociedade colonial açucareira era patriarcal, rural, com pouca mobilidade social. Politicamente, eles implantaram as capitanias hereditárias em 1534, com o intuito de centralizar o poder e, em 1548, foram criados os governos gerais.

         Quanto à metrópole, Portugal enfrentava uma grande crise com a estagnação do comércio, e a falência das manufaturas levaram ao estado de penúria, onde se vê na necessidade de recorrer a colônia brasileira um refúgio para solucionar seus problemas econômicos.

          Em relação aos primeiros contatos entre os colonizadores e os índios que aqui habitavam, foi de início pacífico. No entanto, pouco tempo depois, os colonizadores começaram a empreender uma conquista belicosa e sanguinária, explorando os nativos e despojando-os de quaisquer tesouros que fossem encontrados. Junto com os primeiros colonizadores, chegaram também várias ordens religiosas, em especial, os Jesuítas, que perante tão grande crise, vieram propagar a fé católica entre os índios, como também, trazer suas propostas educacionais.

          Os Jesuítas como são chamados, são membros da ordem religiosa “Companhia de Jesus” que tem como patrono Santo Inácio de Loyola. Essa ordem, reconhecida pela Igreja a partir de 1540 é conhecida mundialmente por seu trabalho missionário e educacional, principalmente na América do Sul. Propriamente são eles que diante desse contexto de exploração da América, aparecem com suas pregações e seus ensinos.

           Os Jesuítas foram enviados para o Brasil visando a evangelização dos índios daquela região. O Estado dava apoio para eles tendo em troca um auxílio para a exploração do território. Era a relação entre Estado e Igreja, que visavam naquele contexto uma suposta parceria.

       É importante levar em conta para analisar a educação jesuítica, o contexto em que está inserida. Os jesuítas pertenciam a Portugal, assim, carregam consigo, valores, crenças, modo de ser, e outras características portuguesas. Esses jesuítas possuíam duas tarefas fundamentais: evangelizar os índios e ensinar os filhos dos portugueses.

          A primeira educação prezada pelos portugueses se fundamentava na “orbis christianus”, que visava a unidade da sociedade nos princípios da fé cristã. A educação dos jesuítas seguia esse princípio, o qual nenhum português questionava. Logo, seu trabalho em relação aos índios tinha em vista a conversão dos mesmos, no entanto, não gerou repercussão no meio deles, o que resultou da parte dos jesuítas na imposição de práticas portuguesas e a destruição da cultura indígena.

          O primeiro método pedagógico brasileiro foi o “Ratio Studiorum”, utilizado pelos Jesuítas, que foram quase os únicos educadores no Brasil até 1759. Esse método pode ser dividido de forma resumida em três fases: a humanista; a filosófica; e a teológica. O desenvolvimento do espírito competitivo é característica da educação jesuíta, além do valor a racionalidade, tanto no nível teórico quanto no nível prático.

          A educação jesuítica dava grande valor à formação intelectual, muito presente na vida dos portugueses. Seu conceito de educação baseava-se na liberdade do homem, no respeito à pessoa e na universalização da espiritualidade humana. O ensino dividia-se em três partes: O primário, onde se aprendia a ler e escrever; o médio, preparação para o superior, onde os ricos tinham privilégio; e o superior que visava a formação dos padres.

          Os Jesuítas tiveram um grande êxito em suas catequeses, criando assim, uma grande autonomia política e econômica no país, o que posteriormente causou intrigas e invejas por parte de alguns, entre eles o ministro Marquês de Pombal. Por esse motivo, inicia-se a Guerras do Guaraníticas contra Estado e Igreja. Os Jesuítas que tinham chegado ao Brasil em 1549, permaneceram até 1759, quando houve sua expulsão por Pombal.

          É importante salientar também que no ano de 1808 com o apoio dos britânicos, Dom João faz a transferência da sede da Corte para o Brasil, fortalecendo assim as suas estruturas no país. A política com as suas bases fortalecida, começaram a criar novos paradigmas para a economia. Alguns deles em especial, foi a criação do Município que abrigava a sede da Corte, chamado Rio de Janeiro. Um outro grande passo e muito significativo dessa potência, foi a abertura de um porto para a exportação dos produtos explorados no Brasil.

 

 

REFERÊNCIAS

 

PAIVA, José Maria de Paiva. Pontamentos para Abordar a Primeira Educação Brasileira. Anais do IV Seminário Nacional. P. 457-461.

 

VIEIRA, Sofia Lerche Vieira; FARIAS, Isabel Maria Sabino de Farias. Política Educacional: Introdução a História. Brasília: Editora Plano, p. 25-45, 2007.




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