SKINNER E FREIRE, E AS PRINCIPAIS IDEIAS ACERCA DA APRENDIZAGEM

 

SKINNER E FREIRE, E AS PRINCIPAIS IDEIAS ACERCA DA APRENDIZAGEM


Autor: OLIVEIRA, Ricardo Orlando
Publicado em: 19/01/2022

          O presente estudo procura relatar de maneira sucinta um pequeno embate a respeito das principais ideias de aprendizagem dos autores contemporâneos Skinner e Paulo Freire. Busca-se, de certo modo, uma contextualização de ambos os autores e se propõe uma reflexão a respeito de tais ideias.

          Burrhus Frederic Skinner nasceu em Susquehanna no estado da Pensilvânia em 20 de março de 1904, e morreu em Cambridge no dia 18 de agosto de 1990. Skinner foi um autor e psicólogo norte-americano de grande destaque no século XX, sendo considerado um dos pioneiros da psicologia experimental e propositor do Behaviorismo Radical. Tem como principais influências de seu pensamento o fisiológico russo Pedrovich Pavlov (1849-1936) e o psicólogo norte-americano Jonh Broadus Watson (1878-1958).

          Skinner também é considerado o pai do tecnicismo, uma tendência liberal que tem como base a ideia de que a escola tem por responsabilidade preparar os indivíduos para o desempenho na sociedade de acordo com suas aptidões sociais. Além disso, dirige a aprendizagem de acordo com as normas vigentes da sociedade de classe, direcionada principalmente para a classe dominante. Essa questão está intrinsecamente ligada à sua concepção radical behaviorista, que tem como foco a análise do comportamento humano, que “é o traço mais familiar do mundo em que as pessoas vivem” (SKINNER, 1974, p. 7), onde a aprendizagem concentra-se na capacidade de estimular ou reprimir comportamentos, desejáveis ou indesejáveis.

         Desse modo, percebe-se que educação segundo Skinner, é o estabelecimento de comportamentos que serão vantajosos tanto para o indivíduo, quando para os outros em algum tempo futuro.

           Já Paulo Reglus Neves Freire, filho de Joaquim Temístocles Freire e Edeltrudes Neves Freire, nasceu no Recife em 19 de setembro de 1921, e morreu em São Paulo no dia 2 de maio de 1997.  Além de filósofo e educador, Paulo Freire é considerado um dos maiores pensadores da história da pedagogia, sendo considerado também, o patrono da educação brasileira.

          Diferentemente de Skinner, a pedagogia de Paulo Freire é libertadora, isto é, “uma pedagogia fundada na ética, no respeito à dignidade e à própria autonomia do educando” (FREIRE, 2002, p. 4). Desse modo, Paulo Freire tem horror ao mecanicismo, à postura dos discípulos submissos e obedientes. Segundo ele por exemplo, o aluno não deve permanecer passivo diante das situações, mas sim, ter uma postura ativa, como aquele que propicia a ação segundo a própria determinação, ou seja, detém o poder de agir, e desenvolve-se um exercício em favor de um desenvolvimento autônomo:

O que importa, na formação docente, não é a repetição mecânica do gesto, este ou aquele, mas a compreensão do valor dos sentimentos, das emoções, do desejo, da insegurança a ser superada pela segurança, do medo que, ao ser "educado", vai gerando a coragem (FREIRE, 2002, p. 27).

          A amorosidade necessária por parte dos professores às relações educativas, é um fator de grande relevância do pensamento de Freire, do mesmo modo de que devemos nos advertir para a necessidade de uma postura vigilante a respeito das práticas de desumanização. Freire também “anuncia a solidariedade enquanto compromisso histórico de homens e mulheres, como uma das formas de luta capazes de promover e instaurar a ‘ética universal do ser humano’” (FREIRE, 2002, p. 5).

          Para Paulo Freire, somos atores e autores de nossa própria cultura. Uma de suas teorias por exemplo, a respeito da educação e alfabetização de pessoas, seria coloca-los em contato com sua própria cultura, principalmente com o método dos “Círculos de Cultura”, de modo que cada indivíduo se identificasse e reinventa-se com o mundo e com os outros. Desse modo, a prática educativa é um exercício constante em favor da produção e do desenvolvimento da autonomia de educadores e educandos.

          Desse modo, ao destacar as principais ideias dos autores, percebe-se que para Skinner, de acordo com a proposta behaviorista que, para ele podia influenciar o mundo para uma humanidade melhor, a educação deve ser planejada passa a passo, de modo que o indivíduo obtenha resultados desejados de acordo com a “modelagem” proposta para o aluno. Já para Paulo Freire, nós somos os autores de nossa própria história, e devemos respeitar a dignidade da autonomia do indivíduo, para que ele possa crescer e se desenvolver liberto de uma humanidade degradada pelo mecanicismo oriundo da globalização.

 

REFERÊNCIAS

FREIRE, Paulo Reglus Neves Freire. Educação como Prática da Liberdade. 5. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975. 150 p.

FREIRE, Paulo Reglus Neves Freire. Pedagogia da Autonomia. p. 4, 2002. Disponível em: <https://www.passeidireto.com/arquivo/3447982/pedagogia-da-autonomia---paulo-freire>. 

SKINNER, Burrhus Frederic Skinner. Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix, 1974. 216 p.

 

 

 

 

 




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